BIOGRAFIA


O exercício da arte é pura meditação, que induz ao silêncio absoluto da alma onde não existe o conflito verbal, mas a profunda, silenciosa e total comunhão entre o artista, a obra criada e o sentir emocionado do espectador, partícipe, ele também, dessa magia do existir e do contato fugidio com dimensões e uma ordem estabelecida muito além de nossa compreensão.

Meu primeiro contato com trabalhos artísticos foi no serviço militar obrigatório do Exército Brasileiro, ao me apresentar como voluntário para assumir a responsabilidade da produção de material gráfico, incluindo desenhos, para uso nas atividades militares. Durante esse período pude ganhar experiências que foram de enorme valor, quando decidi, muitos anos mais tarde, dedicar minha vida à arte.

Aos 20 anos de idade, fiquei, solitário, três dias numa praia, para decidir os rumos de minha vida futura. Desse tempo de profunda meditação, surgiu o insight que traçou meus rumos: eu queria realmente era ser um artista. Isso vinha contra tudo o que me foi ensinado e que a lógica racional indicava. Havia ainda a realidade do forte e implacável preconceito social que considera o artista um marginal da vida. Para sobreviver, comecei minha vida profissional como jornalista, atuando depois como publicitário. Formei-me em Direito. Nessas atividades acumulei conhecimentos e experiências vivenciais e, principalmente, uma visão cultural abrangente e humanística, indispensável, penso eu, a qualquer um que exerça uma atividade artística, seja ela qual for.

Anos mais tarde a vida me ensinou que não existe a segurança absoluta num mundo em constante mutação. Meu primeiro choque com essa realidade veio ainda no início de carreira – pedi demissão do jornal que trabalhava como repórter, no momento que soube haver uma decisão editorial no sentido de confrontar e fazer oposição cerrada a um governo legitimamente eleito. Depois disso, procurei trabalhos como publicitário e nem assim fiquei livre de opressão. Com a revolução de 1964 e a conseqüente ditadura militar que se seguiu, me vi desempregado como resultado da censura e asfixia econômica imposta ao jornal que trabalhava e a prisão de todos os seus dirigentes.

Como imediata possibilidade de sobrevivência procurei o caminho artístico. Fui com minhas obras participar numa exposição permanente de arte ao ar livre numa das principais praças públicas do Rio de Janeiro. Anteriormente já havia feito exposição numa grande Feira de Arte promovida pelo Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, com resultados de aceitação e vendas muitas além das minhas melhores expectativas. Passos seguintes me levaram a outros lugares, exposições no Brasil e exterior, projetos artísticos especiais e à posterior produção de uma substancial diversidade de trabalhos incluindo desenhos, pinturas, esculturas, livros e objetos.

Ao artista interessa primordialmente o fazer, o criar. Arte é um estado de espírito de permanente felicidade, de culto à beleza e incondicional aceitação da obra que está sendo criada, cujos traços, pinceladas, volumes, cores e formas estão permanentemente ligados ao primeiro gesto mágico de um artista que viveu nas cavernas de nossa pré-história.

Ao fazer, somos. Ao criar, nos tornamos eternos.


Holoassy Lins de Albuquerque
Nascido em 19 de outubro de 1938 no Rio de Janeiro, Brasil.